Dono da ‘Choquei’ e figuras do funk como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo são alvos em vasta rede de lavagem de dinheiro com criptoativos que movimentou R$ 1,6 bilhão
Raphael Sousa Oliveira, proprietário da popular página de fofocas “Choquei”, foi mantido sob custódia após uma audiência judicial em Goiânia. O influenciador digital é investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento em um intrincado esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão utilizando criptoativos. A detenção integra a Operação Narco Fluxo, que também mira nomes como os cantores de funk MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, e o influenciador digital Chrys Dias, conforme apuração da Polícia Federal.
A investigação da Polícia Federal, no âmbito das operações “Narco Vela” e “Narco Bet”, aponta que Raphael Sousa atuava como um “operador de mídia”. Uma decisão da 5ª Vara Federal de Santos, proferida pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho em 30 de março e obtida pelo g1, descreve que o influencer utilizava o grande alcance de sua plataforma digital para gerir a imagem do grupo criminoso e promover atividades ilícitas. A Justiça considera a sua atuação como crucial, conferindo uma aparência de legitimidade aos negócios sob escrutínio e gerando popularidade.
Raphael teria a função específica de divulgar conteúdos favoráveis ao cantor MC Ryan SP e impulsionar plataformas de apostas e rifas clandestinas, usadas como fachada para dissimular recursos de origem criminosa. O magistrado destacou que o dono da “Choquei” recebia valores diretamente das lideranças do grupo para realizar a promoção digital e a gestão de crises de imagem.
A defesa do influenciador digital
A defesa de Raphael Sousa, representada pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, refuta veementemente as acusações. O advogado afirma que seu cliente atua de forma legal no mercado digital, com sua renda derivada de contratos de publicidade legítimos. Segundo Medeiros, o influenciador apenas publica conteúdos enviados pelas equipes responsáveis pelas campanhas, negando qualquer participação ou conhecimento sobre as supostas irregularidades investigadas.
Durante depoimento à Polícia Federal, Raphael explicou que era contratado para fazer publicidade para MC Ryan SP e outros artistas, emitindo notas fiscais pelos serviços prestados, sem qualquer outra relação com o cantor.
“Nós explicamos que ele faz publicidade para o Ryan e para vários outros artistas, recebia por isso, emitia nota fiscal por isso, e que ele não tem qualquer outra relação com o Ryan senão essa.”
Na audiência de custódia, o juiz de São Paulo, responsável pela solicitação de oitiva de Raphael, inicialmente determinou sua liberação para retornar para casa. Contudo, o magistrado solicitou a manifestação do delegado encarregado da operação para avaliar a persistência da necessidade de manutenção da prisão.
“Na audiência de custódia, o juíz de São Paulo, que é quem pediu que o Raphael fosse ouvido, determinou a volta dele para casa. Porém, o juíz pediu para ouvir o delegado responsável pela operação para saber se ainda há necessidade de manter o Raphael aqui.”
Detalhes da operação e outros alvos
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal em Goiás e em mais oito estados. Mais de 200 policiais federais participaram da ação, que resultou no cumprimento de 45 mandados de busca e 39 de prisão. Além das detenções, foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Os crimes sob investigação incluem lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.
As defesas dos outros artistas envolvidos também se manifestaram. O advogado de MC Ryan SP declarou ao g1 que ainda “não teve acesso ao procedimento, que tramita sob sigilo”, mas enfatizou a lisura das transações financeiras de seu cliente.
“[Garantimos] a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras.”
“Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada.”
Já Marlon Brandon Coelho Couto Silva, advogado de MC Poze do Rodo, afirmou desconhecer os autos ou o teor do mandado de prisão.
“[O advogado] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão.”
“[Quando tiver acesso aos documentos, o advogado] se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.”
A defesa de Chrys Dias não foi localizada.
Perfil de Raphael Sousa e a página Choquei
Raphael Sousa Oliveira possui 1,4 milhão de seguidores em uma de suas redes sociais, onde compartilha momentos de trabalho, vídeos de humor e viagens. A página “Choquei”, de sua propriedade, ostenta mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e é amplamente reconhecida pela publicação de fofocas de celebridades, reality shows, memes e acontecimentos de grande repercussão nacional e internacional, com quase 74 mil postagens.
A investigação prossegue com a quebra do sigilo de dados telemáticos dos suspeitos, buscando consolidar as provas sobre a complexa teia de crimes financeiros. A defesa de Raphael Sousa reafirma seu compromisso com o esclarecimento dos fatos e a colaboração com as autoridades, confiando que a Justiça reconhecerá a ausência de requisitos para a manutenção da custódia, permitindo que ele responda em liberdade.


















