Crueldade e negligência materna expostas em Palmeirópolis com o indiciamento de seis envolvidos em série de abusos sexuais contra criança de 11 anos sob a Operação Caminhos Seguros
A Polícia Civil do Tocantins indiciou seis pessoas, entre elas a mãe de uma criança de 11 anos, por uma série de abusos sexuais ocorridos em Palmeirópolis, no sul do Estado. As investigações da 96ª Delegacia de Polícia, parte da Operação Caminhos Seguros, apontam que a genitora tinha pleno conhecimento dos crimes e falhou em proteger a filha. Os abusos teriam sido praticados por diversos homens ao longo de 2025, todos cientes da idade da vítima.
A apuração teve início a partir de denúncias encaminhadas pelo Conselho Tutelar de Palmeirópolis. Profissionais de saúde do município também reforçaram os relatos, identificando sinais de violência durante atendimentos à criança. As evidências colhidas indicaram que a vítima sofria abusos recorrentes e que a mãe, ciente da situação, não tomou qualquer providência para impedir a continuidade dos crimes.
Durante as diligências, o delegado Joadelson Rodrigues Albuquerque, responsável pelo inquérito, ouviu testemunhas e suspeitos. Nesses depoimentos, a alegação de consentimento por parte da mãe da criança emergiu, adicionando uma camada alarmante ao caso.
“Chama a atenção o fato de que tanto os adultos quanto dois adolescentes envolvidos afirmaram que os atos eram consentidos pela mãe da criança.”
A vítima foi submetida a uma escuta especializada, conduzida por psicóloga, em conformidade com os protocolos de proteção a crianças e adolescentes. O inquérito também foi fundamentado em laudos periciais detalhados. Ao final da investigação, cinco homens adultos e a mãe da vítima foram indiciados pelo crime de estupro de vulnerável. Em relação aos dois adolescentes que também participaram, foram registrados boletins de ocorrência circunstanciados por atos infracionais análogos ao mesmo crime.
A prisão da mãe e a proteção à vítima
Com base nas provas coletadas, o delegado representou pela prisão de todos os investigados, contudo, somente a prisão preventiva da mãe da vítima foi decretada. Ela permaneceu detida por dois meses, período considerado essencial para evitar interferências nas investigações. Após ser colocada em liberdade, foi proibida de manter qualquer tipo de contato com a criança, que atualmente vive em um lar substituto, garantindo sua segurança e bem-estar.
Joadelson Rodrigues enfatizou a importância da responsabilização dos envolvidos para assegurar a proteção física e psicológica da vítima. Ele ressaltou a clareza da legislação brasileira em casos de estupro de vulnerável, desconsiderando qualquer argumento de consentimento devido à idade da vítima.
“Assim que tomou conhecimento dos fatos, a Polícia Civil atuou para identificar todos os envolvidos nesse crime hediondo. Alguns investigados alegaram que houve consentimento da vítima e da mãe, mas a legislação é clara: devido à idade da criança, não há possibilidade de consentimento, sendo o estupro presumido. A mãe também foi indiciada porque tinha o dever de cuidado e proteção e foi negligente ao permitir que os abusos acontecessem.”
O delegado destacou que a pena para estupro de vulnerável pode alcançar 18 anos de prisão, sublinhando a gravidade do delito. Ele finalizou com um apelo à responsabilidade dos pais e responsáveis.
“Esse caso demonstra o empenho da Polícia Civil no combate a crimes que causam profunda repulsa social. É essencial que pais e responsáveis estejam atentos ao dever de proteção para evitar situações tão graves quanto esta.”
A Operação Caminhos Seguros, na qual o caso se insere, é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Senasp. A iniciativa tem como principal objetivo o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. A mobilização ocorre durante o mês de maio, com intensificação das ações até o dia 18, data do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.


















