Golpe do Falso Advogado: Polícia da Flórida Prende Grupo Suspeito de Extorquir Milhões de Brasileiros Imigrantes

Policiais da Flórida prendem quatro suspeitos acusados de golpe contra imigrantes brasileiros.

Grupo é preso na Flórida sob acusação de aplicar golpes em brasileiros que buscam regularizar situação nos Estados Unidos, prometendo assessoria inexistente.

Uma investigação policial na Flórida resultou na prisão de quatro brasileiros suspeitos de liderar um esquema fraudulento que lesou imigrantes. O grupo é acusado de extorsão, fraude organizada e exercício ilegal da advocacia, com um prejuízo estimado em mais de US$ 20 milhões ao longo de três anos. Segundo o xerife John Mina, o modelo de negócio se baseava em manipulação, fraude, mentiras e extorsão.

A ação policial teve início após denúncias feitas à Ordem dos Advogados da Flórida em setembro. As investigações apontam que os criminosos simulavam oferecer serviços de assessoria para imigrantes com o objetivo de auxiliar nos processos de solicitação de permanência nos Estados Unidos. As vítimas, em sua maioria brasileiras, perdiam quantias que variavam entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.

Uma das vítimas relatou à reportagem que procurou a empresa B Consulting pela internet, que prometia facilidades para imigrantes. No entanto, durante as negociações, foi direcionada para a Legacy Imigra. A jovem, que já residia no Texas, contou que o golpe começou no segundo semestre do ano passado. Ela chegou a pagar US$ 1.825, cerca de R$ 9 mil, mas interrompeu os pagamentos ao desconfiar da empresa.

“Eu fugi da Legacy porque já havia um burburinho de que a Legacy estava fazendo ‘fast food’ de documentos. Quando eu fechei o contrato e eles me pediram para enviar o material pra Legacy, eu: ‘Peraí. Com a Legacy?”, relatou a vítima.

Os presos foram identificados como Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva. Segundo as autoridades, Juliana e Vagner são casados, e os pagamentos eram feitos para uma conta em nome de Vagner. O sobrenome de Juliana apareceu em um e-mail fornecido pela empresa à vítima. Até o momento, a reportagem não conseguiu contato com a B Consulting nem com a Legacy Imigra, cujo site exibe uma mensagem de “em manutenção”. A defesa dos presos também não foi encontrada.

A vítima goiana se mudou para os EUA há quatro anos e meio com visto de turista. Em busca de regularizar sua situação após uma perda de prazo em um processo universitário, ela procurou um advogado particular. Posteriormente, ao saber dos serviços da B Consulting, fechou um contrato que totalizaria US$ 3.200. Ela iniciou os pagamentos em outubro, mas o processo nunca foi iniciado.

A desconfiança aumentou quando, em janeiro deste ano, a jovem parou de pagar as parcelas. Há cerca de três semanas, foi contatada por um homem cobrando o restante do valor. Ela se recusou a pagar, solicitou o dinheiro de volta e a empresa desapareceu. A vítima agora busca regularizar sua situação, temendo as ações de fiscalização contra imigrantes irregulares e lamenta que muitos outros tenham perdido quantias maiores.

O xerife John Mina informou que o grupo responderá por quatro crimes: crime organizado, fraude organizada, extorsão e exercício ilegal da advocacia. Até o momento da divulgação, sete vítimas haviam colaborado com as investigações, mas Mina acredita que o número real seja significativamente maior.

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