Influenciadora e mãe são alvos de operação da Polícia Civil por suspeita de movimentação milionária através de esquema de lavagem de dinheiro com jogos
Lara Luíza Cabral, uma influenciadora digital com mais de 19 mil seguidores, e sua mãe, Valquira Cabral de Sousa, estão sob investigação policial em um caso que apura um complexo esquema de lavagem de dinheiro. A Operação Tigre de Areia, conduzida pela Polícia Civil, teve como alvo principal a dupla, suspeita de movimentar milhões de reais oriundos de jogos de azar. A deflagração da ação policial ocorre dias após Lara Luíza ter feito uma publicação em suas redes sociais, conforme reportagem do g1 TO, sobre “viver perigosamente” devido a dívidas.
A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de fachada, contas de familiares e até mesmo transferências para instituições religiosas para, supostamente, dissimular a origem ilícita do dinheiro. Enquanto Lara Luíza declarava uma renda mensal inferior a R$ 4 mil, sua mãe, que atuava como faxineira com ganhos de R$ 3 mil, é indicada pela polícia como responsável pela movimentação de R$ 9 milhões sozinha.
A Justiça determinou o bloqueio das redes sociais da influenciadora e o sequestro judicial de bens, incluindo três veículos, três casas e sete lotes. Apesar disso, o pedido de prisão preventiva das investigadas foi negado, sendo substituído por medidas cautelares alternativas. O magistrado também autorizou a quebra do sigilo de dados das mulheres, permitindo o acesso a informações armazenadas em nuvens e celulares.
A postagem da influenciadora em abril, onde ela escreve: “Você faz alguma atividade perigosa? Sim. Faço dívidas que não consigo pagar. E ainda durmo tranquila até a fatura chegar. Vivendo perigosamente”, serviu como um ponto de alerta para o psicanalista Carlos Mendes. O especialista considera a normalização ou ridicularização do endividamento uma atitude perigosa.
“Cerca de 50% da população brasileira está negativada e 80% endividada […] Brincar com essa realidade nesse contexto onde se divulga jogos de azar, ignora o crescimento no número de crimes e a diminuição do consumo de produtos, inclusive da cesta básica por parte de quem realiza apostas.”
Carlos Mendes aprofunda na natureza prejudicial dos jogos de azar, descrevendo a lógica por trás deles como perversa. Ele explica que as plataformas estimulam o sistema de recompensa do cérebro através do que ele chama de “reforço intermitente”.
“As pessoas ganham pouco e depois perdem muito. Então fica sempre a expectativa de tentar recuperar aquele valor perdido e aí isso cai num ciclo infinito de repetições.”
O impacto negativo é ainda mais potencializado quando influenciadores digitais promovem esses jogos, segundo a análise do psicanalista. Eles amplificam a atração para um público vulnerável.
“Além disso, há o apelo à ostentação. O que se mostra nas redes sociais é a necessidade de ter o celular da moda ou aquele estilo de vida luxuoso. Seduzidas por isso e com a anuência do influenciador, as pessoas acabam se tornando vítimas fáceis.”


















