Escândalo na polícia do Tocantins: ajudante de ordens do governador é detido com mais 22 PMs em megaoperação por suspeita de chacina organizada e eliminação de provas

Viaturas da polícia estacionadas em frente a um quartel com agentes em segundo plano durante operação no Tocantins

Vinte e três agentes da corporação, incluindo oficial de alta patente ligado ao governo, são presos por formar grupo organizado dentro da PM tocantinense

Vinte e três policiais militares do Tocantins, incluindo um tenente-coronel que ocupa a função de ajudante de ordens do governador do estado, foram detidos preventivamente. A ação está ligada a uma investigação sobre o envolvimento desses militares em uma chacina ocorrida em Miracema do Tocantins, em fevereiro de 2022. Além do tenente-coronel, a lista de presos inclui três majores, um capitão e 18 outros membros da corporação, entre tenentes, sargentos, cabos e soldados, conforme apurou o Nahora da Notícia.

As prisões e as medidas restritivas foram determinadas pela 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins. As investigações revelaram a atuação de um grupo organizado dentro da própria Polícia Militar, que contaria com a participação de oficiais de alta patente em ações de monitoramento de vítimas, execuções e tentativas de ocultar provas dos crimes.

De acordo com o levantamento das autoridades, a estrutura do grupo era bem definida e coordenada. Havia integrantes responsáveis pelo transporte, pela vigilância, pela aplicação de tortura, pela execução das vítimas e por esconder vestígios e provas dos atos ilícitos.

Os fatos que desencadearam a investigação tiveram início com a morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa durante uma operação em uma área de cultivo de mandioca. Nas 48 horas que se seguiram a esse evento, outras seis pessoas foram assassinadas em ações que, segundo as apurações, foram minuciosamente planejadas e executadas pelos próprios policiais agora sob custódia.

Todos os investigados se apresentaram voluntariamente nesta sexta-feira (8) no Quartel do Comando-Geral da PM, situado na capital Palmas. Posteriormente, foram encaminhados para a Delegacia-Geral da Polícia Civil, onde permanecem à disposição da Justiça.

Além das detenções, a decisão judicial impôs o afastamento imediato de todos os envolvidos de suas funções públicas. A medida também inclui a suspensão do direito de porte de arma e a proibição de qualquer tipo de contato entre si, com testemunhas ou com familiares das vítimas. Tais restrições visam garantir a livre condução das investigações.

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