Aumento exponencial do roubo de cargas nas rodovias do Tocantins reposiciona a região norte como um novo vetor crítico para o crime
A região Norte do Brasil emergiu como um ponto focal alarmante para o roubo de cargas em 2025, com o Tocantins posicionado no epicentro dos danos financeiros. O impacto financeiro na área disparou, impulsionado pela intensificação da criminalidade em corredores logísticos estratégicos. Esta mudança reflete uma nova geografia do crime em todo o território nacional, conforme revelado por um estudo da Nstech, uma empresa especializada em software de logística, divulgado pelo Jornal Opção.
A participação do Norte nos prejuízos nacionais saltou significativamente, passando de 0,9% em 2024 para impressionantes 11,2% em 2025. Praticamente a totalidade desse impacto econômico na região é concentrada nos estados do Pará e Tocantins, onde as mercadorias de alto valor agregado, como eletrônicos, tornaram-se alvos preferenciais dos criminosos.
Esta escalada de ocorrências no Norte está intrinsecamente ligada à relevância logística de rodovias como a BR-153 e a BR-010, que atravessam o Tocantins. Essas vias são vitais para o escoamento da produção agropecuária e para o abastecimento regional, gerando um fluxo constante de cargas valiosas e, consequentemente, uma maior exposição aos riscos.
Embora o Sudeste ainda lidere as perdas gerais no país, sua fatia nos prejuízos registrou um declínio de 83,2% para 68,1% no período analisado. Essa redução sinaliza uma dispersão das ações criminosas para outras partes do Brasil. O Nordeste consolidou-se como a segunda região mais afetada, com Bahia, Maranhão e Pernambuco respondendo, juntos, por mais de 75% dos prejuízos regionais, com taxas de 28,4%, 24,7% e 23,8%, respectivamente.
A análise também identificou uma alteração no perfil das mercadorias visadas. Embora a carga fracionada permaneça na liderança, ela apresentou uma redução em sua participação relativa. Em contraste, os alimentos registraram um avanço de 6,4 pontos percentuais, alcançando 26,5% do total dos prejuízos. Medicamentos tiveram um aumento superior ao dobro nas estatísticas, enquanto os eletrônicos consolidaram a terceira posição entre os itens mais frequentemente roubados.
Além da redistribuição territorial e da mudança nos alvos, os padrões de ocorrência também foram modificados. A noite continua sendo o período de maior risco, concentrando 30,7% dos registros. Contudo, houve um crescimento notável nas ações durante o horário comercial, especialmente no turno da manhã. No recorte semanal, a quinta-feira passou a ser o dia com mais ocorrências, e os domingos demonstraram um aumento relevante, diminuindo a histórica diferença de risco entre dias úteis e fins de semana.
No Sudeste, apesar da queda proporcional, a concentração de prejuízos permanece elevada. São Paulo representa 44,2% das perdas regionais, e o Rio de Janeiro contribui com 37%. Esse cenário é impulsionado pela intensa atividade logística e pelo alto consumo nos grandes centros urbanos desses estados.

















