Revolução digital nos gramados e arenas impulsiona mercado bilionário

Inteligência artificial analisando dados de atletas em campo para otimização de desempenho

O impacto bilionário da inteligência artificial no esporte: da otimização de desempenho atlético à criação de conteúdo inédito e novos mercados

A análise de dados no esporte atinge um patamar sem precedentes graças à Inteligência Artificial (IA), impulsionando um mercado global que pode movimentar até US$ 7,5 bilhões, equivalentes a R$ 39,2 bilhões na cotação atual, até o ano de 2032. Esta inovação tecnológica promete transformar não apenas os treinamentos e as estratégias em dias de jogo, mas também a maneira como o conteúdo é produzido para as emissoras e como os fãs interagem com os mercados de apostas online, conforme reportagem do Estadão.

Desde o rastreamento minucioso da trajetória de um chute no futebol até o monitoramento em tempo real da potência de um ciclista em grandes competições como o Tour de France, a capacidade da IA está remodelando o ecossistema esportivo. O avanço é considerado gigantesco, atraindo empresas especializadas com a expectativa de lucros substanciais e a criação de novas oportunidades de negócio.

Tecnologia em campo e na quadra impulsiona desempenho

O cenário da análise de dados esportivos evoluiu drasticamente desde a popularização do tema com o filme “O Homem que Mudou o Jogo”, de 2011, que destacou a exploração pioneira das estatísticas de jogadores pelo técnico Billy Beane no beisebol. Atualmente, a combinação de sensores portáteis de desempenho, câmeras de alta tecnologia e o poder computacional da IA atrai um volume crescente de empresas.

Frank Imbach, diretor do grupo francês SeeSports, explica o papel dessas inovações. Ele detalha que, com os dados dos jogadores fornecidos por clubes ou federações, é possível realizar análises aprofundadas e oferecer recomendações. Essas sugestões visam otimizar a performance dos atletas e prevenir lesões.

A aplicação prática envolve diferentes metodologias. Algumas empresas utilizam câmeras estrategicamente posicionadas em estádios e arenas para capturar todos os movimentos dos jogadores, independentemente de estarem com a bola. Outras preferem o uso de sensores corporais, capazes de medir capacidades fisiológicas como a respiratória e a do sistema cardiovascular de um atleta.

Arnaud Santin, cofundador da startup britânica SportsDynamics, enfatiza a precisão desses dados. Ele afirma:

“Esses dados altamente confiáveis nos permitem recriar 100% do que acontece em campo, sem simplesmente seguir a bola.”

Essa metodologia inovadora, que a SportsDynamics oferece como um modelo de Software como Serviço (SaaS) inspirado no Vale do Silício, capacita seus clientes a analisar não apenas o desempenho de seus próprios atletas, mas também o de equipes adversárias. Santin ainda complementa sobre a velocidade da tecnologia:

“Para jogos importantes, podemos fornecer 50 quadros por segundo.”
“O desenvolvimento tecnológico nos permite aumentar a capacidade muito rapidamente.”

Crescimento exponencial e novos conteúdos

O crescimento exponencial do mercado de análise esportiva é uma previsão unânime entre especialistas. Lodovico Mangiavacchi, da consultoria global EY, projeta um futuro promissor, especialmente fora dos Estados Unidos.

“Os relatórios preveem que o mercado europeu de análise esportiva crescerá exponencialmente para vários bilhões de dólares na próxima década.”
“Um estudo da Market Research Future prevê que esse mercado atingirá US$ 7,5 bilhões (R$ 39,2 bilhões na cotação atual) até 2032.”

Mangiavacchi ainda destaca os pilares desse investimento:

“Por trás desses números existem investimentos em dispositivos vestíveis, ferramentas sofisticadas de análise de vídeo e dispositivos da Internet das Coisas.”

A tecnologia também está criando novas formas de entretenimento e engajamento. A empresa alemã Data Sports Group, por exemplo, utiliza transmissões de TV ao vivo de esportes como rúgbi e críquete para fornecer conteúdo a veículos de imprensa, operadores de jogos e plataformas de “fantasy games” esportivos.

Para as casas de apostas, Rajesh D’Souza, diretor comercial da DSG, explica a oferta:

“Oferecendo aos seus apostadores algumas ferramentas, como estatísticas e material de referência com arquivos históricos, para que possam tomar decisões com base nessas informações.”

Além disso, os dados detalhados de jogos e jogadores são utilizados para desenvolver conteúdos como confrontos em “Fantasy Leagues”, mantendo o interesse dos fãs mesmo quando não há partidas em andamento. Essa estratégia demonstra como a IA pode manter o público cativado de maneira contínua.

Desafios e proteção de dados em ascensão

A vasta quantidade de dados valiosos gerada pela IA levanta importantes questões sobre sua governança e a necessidade de investimentos robustos em proteção contra roubo. Na Europa, a manipulação desses dados pessoais exige estrita conformidade com o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia, que visa proteger a privacidade do usuário.

Apesar das preocupações com a privacidade, a coleta e uso de dados dos atletas já é uma realidade contratual. Santin, da SportsDynamics, esclarece a situação:

“Os atletas profissionais, na maioria dos casos, assinam um contrato que permite que seus clubes e a liga utilizem seus dados.”

O mercado de acordos envolvendo dados esportivos está em franco crescimento, com movimentações financeiras expressivas. Um exemplo notável é a aquisição, em fevereiro, da plataforma de conteúdo de apostas e jogos Legend pela empresa americana Genius Sports, especializada em dados e tecnologia, por um valor de US$ 1,2 bilhão (equivalente a R$ 6,2 bilhões). Isso ilustra o valor intrínseco e o potencial econômico desses ativos digitais no cenário esportivo global.

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