Como uma lata de tinta e um fragmento digital desvendaram a intrincada rede por trás da execução brutal de fazendeiro.

Lata de tinta e impressão digital, provas em investigação criminal no Tocantins

Investigação meticulosa da polícia desvenda complexa rede de mandantes e intermediários, expondo a frieza de um crime motivado por disputas comerciais no mercado de abacaxis

Uma minuciosa investigação policial no Tocantins revelou os responsáveis pelo assassinato do produtor rural José Geraldo, ocorrido em 7 de setembro de 2024. A elucidação do crime, que ceifou a vida do fazendeiro enquanto jantava com a família em uma pizzaria no centro da cidade, dependeu de evidências cruciais como um fragmento de impressão digital e uma lata de tinta. Conforme noticiado pelo g1 TO, as apurações apontam para uma intrincada trama envolvendo rivalidade comercial e pagamentos para a execução, culminando na prisão de supostos mandantes e intermediários.

A investida criminosa foi capturada por câmeras de segurança, mostrando dois homens em uma motocicleta, um dos quais desceu e atirou na vítima pelas costas. A identificação de um dos executores foi possível após peritos localizarem fragmentos de digitais no retrovisor da moto utilizada no dia do crime. O cruzamento desses dados com o banco do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levou ao nome de Rosevaldo Pedrosa de Albuquerque Júnior.

Rosevaldo Pedrosa de Albuquerque Júnior e José Nadson de Santana Júnior, indicados como os pistoleiros, foram localizados em Maceió, Alagoas. Ambos, contudo, morreram em confronto com a polícia durante a tentativa de prisão, segundo informações da força de segurança. O g1 não obteve contato com representantes de ambos.

Evidências conectam executores a suposto mandante

A motocicleta empregada na ação, com placa alterada e pintura recente para dificultar a identificação, tornou-se um dos focos da investigação. Uma lata de tinta, similar à utilizada para descaracterizar o veículo, foi encontrada pela polícia, juntamente com registros de transferências bancárias. Esses indícios fortaleceram a ligação entre os executores e o produtor rural Roberto Coelho de Sousa, apontado pelas autoridades como o suposto mandante do crime. A motivação, segundo a Polícia Civil, seria uma antiga disputa no mercado de abacaxis, com Roberto sendo concorrente direto de Geraldo e tendo problemas pessoais com ele.

“Deferida a representação, a Polícia Civil deu fiel cumprimento aos mandados, tendo sido apreendidos, dentre outros objetos, os telefones celulares dos investigados, bem como uma lata de tinta semelhante à utilizada para descaracterizar a motocicleta utilizada na execução do crime”

Entenda os envolvidos na trama criminosa

Entre os presos pela Polícia Civil está o fazendeiro Roberto Coelho de Sousa, acusado de ser o mandante. Adão dos Reis Bessa, funcionário de Roberto, também foi detido, suspeito de atuar como intermediário. Outros dois nomes, Diego Andrade da Silva, parceiro comercial do fazendeiro, e Raquel Faria Rodrigues, teriam participado ativamente da trama, intermediando pagamentos do mandante aos executores tanto antes quanto depois do assassinato.

Defesas dos acusados se pronunciam

A defesa de Roberto Coelho de Sousa e Adão dos Reis Bessa informou que, até o momento, não teve acesso integral aos autos do procedimento, o que impede uma análise detalhada. Em nota, eles destacam que o acesso aos autos é prerrogativa fundamental da advocacia para o pleno exercício do direito de defesa e que adotarão todas as medidas jurídicas cabíveis. Reafirmam que todo investigado tem direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, pedindo que conclusões antecipadas sejam evitadas até o esclarecimento dos fatos.

Por sua vez, a defesa de Raquel Faria Rodrigues esclareceu que, neste estágio processual, prioriza o exame técnico e integral dos autos antes de emitir qualquer pronunciamento circunstanciado sobre o mérito das suspeitas. A nota ressalta que a análise detida dos elementos probatórios é indispensável para uma defesa eficaz e que qualquer manifestação precipitada poderia comprometer a estratégia e o curso do inquérito policial. A defesa de Diego Andrade da Silva não foi contatada pelo g1 até a última atualização da reportagem.

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