Operação policial desmantela sofisticado esquema de corrupção na Polícia Civil de São Paulo

Viaturas da Polícia Federal e MPSP em operação contra corrupção em delegacia de SP.

Forças-tarefa desvendam intrincada rede criminosa dentro da corporação, com nove prisões e mandados de busca em unidades policiais de São Paulo evidenciando um alarmante quadro de desvio de conduta.

Nove indivíduos foram presos, de um total de onze mandados de prisão decretados, em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF) que visa desarticular um esquema de corrupção envolvendo policiais civis na capital paulista. A ação, que ocorreu em março de 2026, revelou que agentes públicos destruíam provas e documentos cruciais em troca de propina.

Unidades policiais figuram entre os endereços de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, conforme dados divulgados pelo MPSP. As identidades dos detidos ainda não foram oficialmente divulgadas.

Sete policiais civis da ativa estão entre os participantes do esquema, de acordo com as investigações. Um ex-policial, atualmente atuando como advogado, também é apontado como parte do grupo criminoso.

Quatro policiais nomeados em pedidos de prisão

  • Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, investigador, tido como um dos principais articuladores do esquema;
  • Rogério Coichev Teixeira, investigador;
  • Ciro Borges Magalhães Ferraz, escrivão;
  • João Eduardo da Silva, delegado.

Os indícios de corrupção na Polícia Civil surgiram da análise de material apreendido na Operação Recidere, conduzida pela PF e Receita Federal em 2023. Esta operação focou em um núcleo de doleiros que realizava remessas ilegais ao exterior por meio de empresas de fachada.

O material revelou conversas entre investigados para ocultar e destruir provas de operações lideradas pela Polícia Civil, incluindo a Operação Fractal, deflagrada em outubro de 2022. O contato entre o grupo criminoso e os policiais ocorria com o auxílio de advogados, conforme as mensagens. O inquérito da Operação Fractal tramita há quase cinco anos sem solução.

Em uma das mensagens interceptadas, um investigado menciona ter pago um agente do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPCC) para “resolver o problema” dos doleiros Meire Poza e Leonardo Meirelles, figuras ligadas à Lava Jato. Dias após o pagamento, ambos prestaram depoimento na sede do DPCC sobre as investigações envolvendo a Operação Fractal.

“Já está tudo acertado com os caras lá dentro”, diz uma mensagem enviada pelo investigado à doleira, conforme o Ministério Público.

A Justiça solicitou a prisão preventiva de Leonardo Meirelles e Meire Poza na operação atual.

Em outro caso de comprometimento de provas, suspeitos se encontraram com policiais para substituir um disco rígido (HD) apreendido durante buscas na Operação Fractal. O encontro para a troca do HD com provas por um vazio foi agendado na sede do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, no centro de São Paulo, segundo a investigação.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo declarou que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta de seus integrantes. “A instituição adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”. A Corregedoria da polícia foi acionada, e todas as unidades da corporação passarão por um pente-fino. O Ministério Público anunciou que fará ações extraordinárias de fiscalização para “promover responsabilização” dos agentes envolvidos.

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