Autoridades federais avançam na apuração de crimes graves como lavagem de dinheiro e fraude licitatória, com novas prisões e sequestro de bens, ligados à administração municipal de Lajeado após calamidade de 2024
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta feira, 26 de fevereiro, a segunda etapa da Operação Lamaçal, focada na investigação de possíveis desvios de recursos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Os valores, destinados à administração municipal de Lajeado, no Rio Grande do Sul, eram para mitigar os impactos das enchentes ocorridas em maio de 2024, visando esclarecer crimes de desvios em licitações e lavagem de capitais, conforme informado pela Polícia Federal.
As apurações apontam para um complexo esquema. A fase inicial da operação, realizada em novembro de 2025, já havia indicado o direcionamento de licitações, com base na análise parcial do material apreendido. As investigações mais recentes identificaram irregularidades em três processos licitatórios conduzidos pela Prefeitura de Lajeado.
Esses contratos, firmados com empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, tinham como objetivo a prestação de serviços de assistência social. Há fortes indícios de que as seleções não privilegiaram a proposta mais vantajosa para o poder público, e que os montantes pagos estavam acima dos valores de mercado.
No decorrer desta segunda fase, foram cumpridos vinte mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A ação incluiu ainda o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos financeiros dos investigados.
As diligências se estenderam por diversos municípios gaúchos, abrangendo Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Como resultado da operação, foi determinado o afastamento cautelar de cargos públicos ocupados por dois investigados. Além disso, foram efetuadas prisões temporárias de outros dois indivíduos. Também foram apreendidos três veículos, diversos aparelhos eletrônicos e documentos cruciais para a continuidade das investigações.
Os envolvidos poderão responder por uma série de delitos, incluindo desvio ou aplicação indevida de verbas públicas, contratação direta ilegal, fraude em licitação ou em contrato, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes correlatos.


















