Desarticulação na manhã desta sexta-feira expõe rede intrincada de facilitação para entrada de aparelhos eletrônicos, desvendando elos entre criminosos e servidores penitenciários
A Polícia Civil de Mato Grosso, através da Operação Via Paralela, deflagrada na manhã desta sexta-feira (26.2), desarticulou um esquema criminoso de ingresso e comercialização de celulares no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, localizado em Várzea Grande. A ação resultou no cumprimento de dez ordens judiciais, abrangendo seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão domiciliar, todas expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, conforme divulgado pela Polícia Civil (PJC).
As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, revelaram a existência de uma estrutura complexa de corrupção passiva e tráfico de celulares. Pelo menos seis indivíduos estavam envolvidos nos crimes de associação criminosa, corrupção passiva majorada e ingresso telefônico em unidade prisional. Entre os investigados figuram dois policiais penais, reeducandos e a esposa de um dos presos.
Engrenagem criminosa detalhada
O esquema operava de forma estruturada e reiterada. Policiais penais utilizavam sua facilidade de acesso ao presídio para introduzir os aparelhos. Após a entrada, os dispositivos eram distribuídos para os detentos que realizavam a compra dentro da unidade prisional.
Um reeducando desempenhava um papel central como coordenador das atividades ilícitas, organizando a comercialização interna dos telefones e garantindo o repasse das vantagens indevidas aos agentes públicos participantes. Os policiais penais buscavam os celulares com vendedores em seus dias de folga e os levavam para dentro da unidade. Uma vez no presídio, os aparelhos eram escondidos em locais específicos e, posteriormente, um outro preso, com livre acesso às dependências, coletava os celulares e os entregava aos compradores.
A revenda dos aparelhos dentro do presídio era lucrativa. Os policiais penais cobravam entre R$ 400 e R$ 800 por cada celular introduzido e eram capazes de ingressar com até oito dispositivos de uma só vez.
Combate estratégico e acompanhamento oficial
A Operação Via Paralela integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, parte do programa Tolerância Zero, que visa combater facções criminosas em todo o estado. A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), por meio de sua Corregedoria Geral, acompanha de perto o cumprimento dos mandados judiciais relacionados aos policiais penais e adotará as medidas cabíveis.
O delegado Marlon Luz, responsável pelas investigações, destacou a relevância da operação na interrupção do fluxo de celulares nos presídios. Ele afirmou que as medidas buscavam.
A importância da operação, neste caso específico, reside no combate ao ingresso de celulares em presídio, que é uma forma em que criminosos e faccionados se valem para ordenar, deliberar e promover a prática de diversos crimes, oriundos de dentro das unidades prisionais, buscando combater o crime também na sua fonte.
O nome da operação, Via Paralela, faz alusão à maneira não oficial de proporcionar benefícios aos detentos da unidade prisional, evidenciando a corrupção na facilitação do acesso a esses privilégios.


















