Uma complexa trajetória de Neyzimar Cabral de Lima entre a administração pública tocantinense e a vida no exterior em meio a acusações de organização criminosa
Neyzimar Cabral de Lima, ex-secretário de Estado da Administração do Tocantins, atualmente com 52 anos, tornou-se réu em uma ação penal que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob acusação de suposta organização criminosa. Apesar das sérias imputações, Cabral de Lima reside nos Estados Unidos, onde atua como CEO de uma clínica, mas mantém ativo seu vínculo como servidor concursado da Prefeitura de Palmas, conforme apurado pelo Jornal do Tocantins.
A carreira de Neyzimar Cabral de Lima no setor público e privado é extensa e multifacetada. Natural de Araguaína e formado em Administração, ele iniciou sua trajetória como empresário em Palmas, atuando nos ramos de tecnologia, segurança e locação de equipamentos antes de ingressar na administração pública. Seu vínculo efetivo com a Prefeitura de Palmas foi estabelecido como Analista de Recursos Humanos, posição que lhe garantiu estabilidade funcional, mesmo enquanto ocupava cargos estratégicos em diferentes gestões estaduais e municipais.
Documentos oficiais acessados pelo Jornal do Tocantins confirmam a atuação de Neyzimar no Executivo municipal desde, pelo menos, 2000, quando foi designado presidente da Comissão Permanente de Licitação de Obras e Serviços de Engenharia. Ele posteriormente transitou por diversas gestões estaduais, por meio de cessão entre poderes. Entre 2003 e 2006, participou do governo Marcelo Miranda, ocupando a Subsecretaria de Comunicação após a reeleição do governador em 2007. Também esteve presente no mandato-tampão de Carlos Henrique Amorim, conhecido como Gaguim, entre 2009 e 2011.
Em 2010, Neyzimar Cabral de Lima foi cedido ao Governo do Tocantins e, em 2011, acumulou funções na Prefeitura de Palmas, sendo nomeado diretor de escola de gestão e, posteriormente, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (Seplag), onde também respondeu interinamente pela pasta. No período de 2013 a 2014, sob a gestão do então prefeito Carlos Amastha, ele ocupou a Secretaria Municipal de Planejamento.
Sua influência na administração estadual se aprofundou em 2015, quando foi cedido novamente ao Executivo do Estado, no terceiro mandato de Marcelo Miranda. Em 2018, já no governo de Mauro Carlesse, assumiu primeiramente a Subsecretaria de Comunicação e, em seguida, a Secretaria de Estado da Administração (Secad). Na Secad, sua responsabilidade se estendeu sobre a folha de pagamento do Estado e o Plansaúde, áreas que, segundo a fonte, posteriormente se tornaram alvo de investigações.
A ação penal em curso no STJ não é o único registro legal envolvendo Neyzimar Cabral. O sistema da Justiça tocantinense também apresenta um processo arquivado ligado a Cofins e contribuições sociais, além de uma anotação sobre corrupção ativa no âmbito penal.
O afastamento do servidor da administração estadual ocorreu em julho de 2018, com a revogação de sua cessão. Pouco depois, em agosto do mesmo ano, foi concedida uma licença para interesses particulares por um ano. No entanto, o vínculo com a Prefeitura de Palmas permaneceu ativo. Portarias internas o citaram como Analista de Recursos Humanos até 2021, e em julho de 2024, a prefeitura concedeu uma prorrogação de sua licença por seis anos, com validade até agosto de 2027.
Neyzimar Cabral reside nos Estados Unidos, onde atua como CEO da clínica Medstation Pompano, que divulga atendimentos na área médica para a comunidade brasileira na Flórida. Essa atuação no exterior ocorre em paralelo à de seu irmão, o médico Neymar Cabral de Lima, de 58 anos, que também reside na Flórida e possui condenação em primeira instância por improbidade administrativa no Tocantins, sob a acusação de receber salários do Hospital Geral de Palmas sem prestar os serviços correspondentes.
Em resposta às acusações, o advogado de Neyzimar, Abizair Paniago, declarou que o cliente reside nos Estados Unidos desde antes do início da ação penal, com endereço e contatos devidamente informados à Justiça. A defesa sustenta que não há medida restritiva para sua permanência no exterior, que ele comparece aos atos processuais por meio de representação legal e que sua inocência será provada ao final do processo.
Thiago Perez, advogado do médico Neymar, informou que foi apresentado recurso contra a decisão de primeira instância na ação de improbidade administrativa. A defesa alega que a sentença desconsidera uma absolvição na esfera criminal pelos mesmos fatos, argumentando que os plantões medicinais no HGP foram cumpridos regularmente por meio de trocas de escalas, prática considerada comum, e que a carga horária foi atendida de forma regular.
A Prefeitura de Palmas, por meio de nota, esclareceu que o servidor efetivo Neyzimar Cabral de Lima está em licença desde 2024 e não responde a procedimento administrativo disciplinar no âmbito municipal. Carlos Amastha, ex-prefeito de Palmas, afirmou que:
A passagem dele pela prefeitura foi impecável. Nada que desabonasse.
O advogado Murilo Armando, que defende o ex-governador Mauro Carlesse, reiterou a inocência de seu cliente e manifestou confiança no Judiciário, afirmando que as acusações não se sustentam e a improcedência será demonstrada ao longo da instrução processual.


















