Liderança técnica da Embrapa Agroenergia impulsiona nova agenda para biocombustíveis no país, mirando sustentabilidade e integração de agricultores familiares em cadeia de valor
Uma era estratégica para a matriz energética brasileira foi oficialmente iniciada com a formalização de um Grupo de Trabalho (GT) instituído pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A liderança técnica dessa iniciativa crucial foi assumida pela Embrapa Agroenergia. Conforme estabelecido pela Portaria nº 15 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e fundamentada na Resolução CNPE nº 1 de 2025, o GT tem como foco central a análise para a diversificação de matérias-primas e a efetiva integração de agricultores familiares e pequenos produtores na cadeia de biocombustíveis, conforme informado pela Embrapa Agroenergia.
O comando do grupo está a cargo de Bruno Laviola, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, atuando como membro titular, com o pesquisador Guy de Capdeville como seu suplente. Laviola destaca a clareza da missão que orienta os trabalhos do GT.
“O GT começa com uma missão muito objetiva, de organizar uma agenda de trabalho com entregas concretas, capazes de orientar políticas públicas, inovação e transferência de tecnologia para ampliar, com sustentabilidade, a base de matérias-primas dos biocombustíveis no Brasil, considerando a inclusão de pequenos agricultores.”
Além de buscar o incremento de biocombustíveis na matriz energética, a criação do GT também visa assegurar o suprimento energético nacional e proteger o consumidor em relação a preço e qualidade. Para o coordenador, o alcance da iniciativa transcende os aspectos puramente técnicos.
“Diversificar matérias-primas é uma estratégia de segurança energética, competitividade e desenvolvimento territorial. E quando isso vem acompanhado de inclusão, o país amplia oportunidades para a agricultura familiar e pequenos produtores participarem de cadeias de maior valor agregado.”
A publicação da portaria em fevereiro de 2026 representou o passo decisivo para a concretização dessas metas. Laviola explica que a formalização dos membros é fundamental para a progressão dos trabalhos.
“Com a formalização dos membros, ganhamos a condição institucional necessária para iniciar o plano de trabalho, pactuar cronograma, definir prioridades e colocar as entregas em marcha.”
O plano de ação do grupo é abrangente, contemplando desde o mapeamento e a caracterização detalhada das matérias-primas até a estruturação de programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e a modernização da ferramenta RenovaCalc. O propósito final é que os estudos gerem ferramentas práticas e políticas públicas que estejam em sintonia com programas governamentais como o RenovaBio e a Lei Combustíveis do Futuro.
Laviola reforça que a equipe está empenhada em produzir resultados aplicáveis, indo além do diagnóstico e gerando uma agenda de inovação com recomendações claras, trilhas de implementação e integração com instrumentos já existentes. Um relatório final será entregue ao CNPE em 360 dias, refletindo um ritmo de trabalho intenso.
A eficiência do GT será garantida por reuniões quinzenais realizadas por videoconferência, com suporte direto do Mapa. O coordenador detalha a metodologia de operação.
“Nosso compromisso é dar ritmo e previsibilidade com reuniões regulares, pauta com antecedência e foco em entregas. A ideia é que cada etapa termine com produtos claros até consolidarmos o relatório final.”
A solidez do grupo é um reflexo de sua composição, que congrega a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e representantes de diversos ministérios: Minas e Energia; Meio Ambiente; Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e Ciência e Tecnologia. Bruno Laviola conclui sobre a diversidade de especialistas envolvidos.
“É uma composição multidisciplinar e multiministerial, cuja transversalidade é fundamental para dar robustez às recomendações.”


















