Intensidade das águas no Tocantins pulveriza quinze pontes, isola populações e paralisa escoamento de safra na divisa com Goiás, gerando cenário de calamidade
O sudeste do Tocantins enfrenta um cenário de devastação após a força das chuvas recentes destruir quinze pontes, isolando comunidades e gerando impactos severos na infraestrutura local e no cotidiano dos moradores. A calamidade se estende por diversos municípios, comprometendo rotas vitais e o escoamento da produção agrícola na região.
Em Pequizeiro, a estrutura da TO-239 não suportou o volume de água e desmoronou completamente. A rota entre Lizarda e São Félix do Tocantins, crucial para o acesso ao Jalapão, encontra-se totalmente intransitável.
Uma família, ilhada entre duas pontes que cederam, teve que atravessar um córrego a pé para buscar socorro. João Rodrigues, um lavrador da região, expressou a gravidade da situação:
“Se não tiver um socorro aqui, nós vamos passar bem aperriado. Dos anos que moro aqui nunca teve enchente que nem essa.”
Atingida severamente, uma estrada rural que conecta quatro municípios teve a cabeceira de uma ponte rompida, deixando a estrutura comprometida por rachaduras. A força da enxurrada também arrancou a vegetação nativa e plantações das margens dos córregos.
A intensidade das chuvas culminou na destruição de uma casa de adobe em Santa Rosa do Tocantins. Os moradores conseguiram deixar o local antes do colapso, evitando ferimentos. Outra residência também sofreu danos parciais devido à invasão da água, conforme relatou a educadora Romilse Rodrigues:
“A correnteza tava muito forte no quintal e devido a agua vir com muita força, ela invadiu a casa.”
Em Pindorama, o rebanho teve dificuldades consideráveis para atravessar um córrego transbordado. O município de Sandolândia formalizou a situação de calamidade, com fazendas submersas e mais pontes colapsadas.
A divisa com Goiás viu o escoamento da produção ser completamente paralisado. A estrada que conecta Araguaçu a Novo Planalto, essencial para cooperativas de grãos e assentamentos, está intransitável. Voluntários atuam com tratores para resgatar caminhões de soja e gado que ficaram presos em atoleiros. Uma voz da região detalha o cenário:
“Essa aqui é a estrada de Araguaçu para Novo Planalto… maquinário aqui para colher, caminhão tudo parado e não passa.”
Os prejuízos se estendem às escolas da zona rural, onde a interrupção das estradas impede o acesso dos alunos às aulas, com ônibus escolares atolados nas vias.


















