Desfile da acadêmicos de Niterói sobre o presidente Lula acende alertas políticos e expõe fragilidades na aproximação com setores evangélicos, superando riscos jurídicos imediatos
O governo brasileiro avalia que o recente desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou a vida do presidente Lula, representa um cenário de maiores prejuízos políticos do que de riscos jurídicos iminentes. Interlocutores da presidência expressam preocupação com a repercussão negativa, especialmente em relação à ala que satirizava setores da sociedade, como os grupos evangélicos, através da denominação “Neoconservadores em conserva”, conforme relatado pela CNN Brasil. Esta abordagem pode dificultar ainda mais a aproximação do Partido dos Trabalhadores (PT) com esse segmento, um objetivo perseguido há anos sem sucesso.
A insatisfação se manifestou de forma expressiva. Um aliado do presidente Lula relatou à CNN Brasil o recebimento de uma ligação de uma importante liderança evangélica, antes próxima ao bolsonarismo e agora alinhada ao lulismo, expressando descontentamento direto com a representação abordada no desfile.
Reação negativa nas redes sociais amplifica o impacto político
A análise da agência Bites corrobora a percepção de uma forte reação adversa nas plataformas digitais. O estudo aponta para 510 mil menções ao desfile entre o final do domingo e a manhã de segunda-feira, abrangendo X, YouTube, contas abertas do Facebook, perfis políticos e de notícias no Instagram, Reddit, sites e blogs. As críticas mais frequentes questionaram a aplicação de recursos públicos em um enredo que exaltava a figura do presidente e levantaram a hipótese de infração eleitoral por campanha antecipada.
Especificamente no X, das 488 mil mensagens analisadas, 222 mil foram categorizadas por inteligência artificial como negativas ao governo, contra 126 mil positivas e as restantes neutras. Este levantamento da agência Bites confirma o sentimento geral de desaprovação dominante nas discussões online.
TSE de 2026: novo perfil e cenário jurídico incerto
Do ponto de vista jurídico, a avaliação também sugere um cenário mais complexo no futuro. Há um entendimento de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2026, que passará a ser presidido por Nunes Marques a partir de junho – indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro –, apresentará um perfil distinto da composição de 2022, então sob a liderança de Alexandre de Moraes. Esta mudança pode levar a julgamentos apertados, com a possibilidade de placares próximos à derrota governista, como um 4 a 3, dependendo do tema.
Embora uma multa relacionada a este caso do desfile seja considerada inevitável pelos aliados de Lula, não existe a crença de que o incidente possa culminar na impugnação de uma candidatura futura.
