Alerta amazônico Tocantins e outras regiões enfrentam possível seca severa com rios em risco

Rio seco na Amazônia com nível de água baixo, mostrando terra exposta e rachada nas margens

Região amazônica sob vigilância intensiva enquanto fenômenos oceânicos e aquecimento do atlântico preparam terreno para estiagem prolongada e impactos drásticos em rios e comunidades

O Tocantins e diversas outras áreas da Amazônia Legal se preparam para registrar volumes de chuva abaixo da média nos próximos meses, conforme um monitoramento climático recente. Essa projeção, apresentada pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão do Ministério da Defesa, levanta alertas significativos sobre potenciais impactos ambientais e sociais, conforme noticiou o Jornal Opção.

O meteorologista e analista em ciência e tecnologia do Censipam, Laurizio Alves, indicou que a tendência climática até maio aponta para uma redução das precipitações em porções da região amazônica. Entre as áreas sob observação estão o centro e oeste do Mato Grosso, o sudeste do Pará, o próprio Tocantins e o centro-sul do Maranhão. Este panorama aumenta a preocupação com impactos ambientais, como o risco ampliado de queimadas.

Alves detalhou que o comportamento climático regional é fortemente influenciado por fenômenos oceânicos. O El Niño impacta mais o período de estiagem, enquanto a La Niña, que este ano teve intensidade fraca, atua na estação chuvosa. A situação atual difere dos anos de 2023 e 2024, quando a região já enfrentou um período mais seco, culminando em mais queimadas. Adicionalmente, o aquecimento das águas do Oceano Atlântico contribui para este cenário, tendo já causado estiagens no Acre e em Roraima no mês anterior.

Além das condições meteorológicas, o evento também abordou a análise do comportamento dos rios amazônicos. O analista do Censipam Flávio Altieri informou que a maioria dos cursos d’água da região mantém níveis normais para a época. Contudo, ele alertou que rios como o Acre, em Rio Branco; o Xingu, em Boa Sorte; o Araguaia, em Xambioá; e o Tocantins, em Marabá, podem registrar níveis inferiores aos observados no ano passado.

Altieri ressaltou a importância do monitoramento, pois a diminuição do nível dos rios tende a se agravar com a chegada do período de estiagem.

“Isso preocupa no sentido de que, daqui a alguns meses, terá início um processo de seca em uma região que vem enfrentando dificuldades nos últimos anos”

O especialista também sublinhou que o sistema SipamHidro oferece acompanhamento em tempo real de riscos ambientais na Amazônia, incluindo inundações, alagamentos, tempestades severas e estiagem. Esses dados são fundamentais para a análise das condições atuais e projeção do comportamento dos rios. O prognóstico de cheias e condições climáticas é considerado estratégico para a preparação das comunidades amazônicas, uma vez que o regime de chuvas, concentrado entre dezembro e maio, influencia diretamente a vida da população e pode acarretar danos à infraestrutura, dificuldades de mobilidade, contaminação de mananciais e aumento de doenças ligadas à água.

O evento que apresentou estas projeções reuniu representantes de diversas instituições atuantes no monitoramento ambiental e hidrológico do país. Entre os participantes estavam especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A presença do secretário-geral adjunto do Ministério da Defesa, Miguel Ragone de Mattos, e do diretor-geral do Censipam, Richard Fernandez Nunes, também marcou o encontro.

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