Alerj eleva polêmica ao sustentar ‘dever legal’ de matar para policiais em defesa da controversa ‘gratificação faroeste’ perante o STF

Documentos oficiais sobre a 'gratificação faroeste' da Alerj sendo analisados no Supremo Tribunal Federal (STF).

Alerj defende ‘gratificação faroeste’ no STF, afirmando que polícia tem ‘dever legal’ de matar em situações extremas para proteger vítimas, gerando controvérsia e debate nacional.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) encaminhou um documento oficial ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 13 de fevereiro, uma sexta-feira de carnaval, com o objetivo de defender a controversa “gratificação faroeste”. Este benefício consiste em um pagamento adicional para policiais que se envolvem em confrontos com resultado de morte. O ofício, direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, surgiu como resposta a um pedido de esclarecimentos após o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizar uma ação questionando a constitucionalidade da medida.

A política de recompensa, aprovada pelos deputados estaduais fluminenses em dezembro passado, apesar de ter sido vetada pelo governador Cláudio Castro, tem gerado intensa polêmica. Críticos da proposta argumentam que a concessão de tal bonificação poderia incentivar execuções, um receio que já havia levado à revogação de um artifício similar nos anos 1990. Contudo, a Alerj, por meio dos procuradores Pedro Ricardo da Silva e Rodrigo Lopes Lourenço, sustenta a legalidade da iniciativa em um documento de sete páginas.

A atividade policial, porque dirigida à proteção à vida, implica, em situações extremas, o dever legal de matar pessoas que estejam cometendo crimes a fim de salvar as respectivas vítimas.

O ofício da Alerj ao Supremo Tribunal Federal alega que a gratificação se configura como um “prêmio” e, portanto, não incorreria em vício de emenda. A Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa do Rio também aborda a “polissemia” do termo “neutralização de criminosos”, buscando desvincular sua interpretação de uma relação direta e exclusiva com o “abatimento de seres humanos”, embora o documento defenda a execução em determinados contextos. A Assembleia considera que, em algumas circunstâncias, existe um mandamento legal para a ação letal policial.

No fim de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado que tanto a Alerj quanto o governador Cláudio Castro se manifestassem sobre o tema em questão. A intervenção do Supremo Tribunal Federal ocorreu depois que o PSOL apresentou a ação, alegando a inconstitucionalidade do trecho da nova legislação que institui a polêmica bonificação, sublinhando a urgência do debate sobre os limites da atuação das forças de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

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